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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Desde que eu vim morar em Porto Alegre, sozinha, uma palavra me acompanhou: superação. Mas somente após dois anos morando aqui que eu fui descobrir o que realmente isso quer dizer. De início eu tive um certo amparo.Isso aconteceu até final do ano passado. Aí eu me perguntava incessantemente o que seria de mim sozinha, completamente sozinha, em uma cidade assustadoramente grande (pro meu conceito, ou pelo menos para o qual eu estava acostumada). E aqui estou eu. So-zi-nha. É assim que nascemos, é desse jeito que morreremos (salvao exceções), não é mesmo? Então comecei a aprendrer a lidar com isso. E quer saber? É bom demais. Eu, como a maioria das pessoas, tinha medo da solidão. Mas aí é que está: tudo se supera. Meu maior medo era passar uma sexta-feira ou um sábado à noite, em casa, sozinha. Aconteceu. Uma sexta-feira seguida de um sábado em casa. Pensei que seria muito mais insuportável. O problema é que muita vezes não sabemos como ficar apenas com a gente. Fiquei ouvindo música, lendo, pensando na vida... não me ocorreu alugar um filme. Não chorei. Passou tudo bem. Aí eu cheguei à conclusão de que havia superado mais um medo. Agora eu não sofro mais como sofria... já não choro como eu chorava. Aliás, de uns tempos pra cá pouco tenho chorado, mas enfim. Antes eu chorava todos os dias porque não sabia o que fazer comigo mesma. Chorava por ser tão dependente e porque, muitas vezes, as pessoas são indiferentes. Chorava todos os dias... mas sabia que não queria desistir. Só não sabia se valia a pena todo o sofrimento que eu estava passando. Hoje posso dizer que, indubitavelmente, valeu demais. Toda a dor me fez crescer muito, amadurecer, criar novos "juízos de valor", valorizar mais cada segundo da vida. Ensinou-me a viver um dia de cada vez, porém com intensidade, como se cada dia fosse o meu último por aqui. Como diria Oswaldo Montenegro, "hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe..." Percebi que não sou uma mulherzinha frágil. Foi muito difícil todo esse tempo, toda a aceitação... e o mais difícil foi não desistir. Muitas vezes pensei em lagar TUDO e correr pro colo de minha mãe. Ainda bem que tive sangue frio, respirei e não voltei para Criciúma. Minha mãe continua sendo a pessoa mais importante pra mim, penso nela a todo instante, mas não mais com aquela dor que eu sentia dantes. Obviamente que sinto muita saudade de estar com ela, porém sei que tudo isso que estou vivendo é muio importante para mim e que em breve estaremos juntas de novo. Se eu tivesse deixado meu sonho pra trás estaria muito arrependida. Escrevi esse texto todo só pra tentar dizer que muitas vezes é muito difícil superar certas coisas. Pode levar algum tempo; não é algo instantâneo. quando aprendemos a lidar com uma certa situação, quando aprendemos a superar algo muito difícil pra nós, as outras subsequentes se tornam mais fáceis. Aprende-se a superar o medo, a dor, os desafios/obstáculos, as tristezas, as perdas, inclusive a morte. Longe de mim ser uma pessoa resignada com tudo ao meu redor; apenas penso que a SUPERAÇÃO é um meio menos doloroso de encarar os fatos. Diante a tudo isso que relatei, cheguei, também, à conclusão que muita coisa que acontece na minha vida, agora, eu quero só pra mim, sem dividir com ninguém. Eu gosto muito de andar sozinha, estar sozinha, ficar sozinha. Às vezes as pessoas me cansam, me causam preguiça...

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