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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Insônia?

Estava me preparando para dormir. Aliás, já era pra eu estar dormindo há algumas horas. Eu consigo desregular meu sono no final de semana e aí fica difícil consertar. Aí o Chicuta falou no twitter que iria escrever um pouco e pensei em fazer o mesmo. Ultimamente tenho me sentido meio mal por estar meio preguiçosa pra leitura. Li muitos poucos livros este ano. Li revistas, claro, notícias, essas coisas, mas preteri muitos livros que gostaria de ter lido. O porquê eu não sei. Procrastinação. Deixar pra amanhã o que poderia ser feito hoje. E aí eu me vejo em meio a uma pilha de livros e minha sede por eles é enorme. Sinto uma vontade incomensurável em lê-los e me encher de bagagem. E cada vez que eu leio, mais eu vejo que não sei nada. Lá em Criciúma tem uma porrada de livros bons que são da minha mãe. Tem uns outros que ganhei de um ex-namorado, só que eram complexos e eu os deixei de lado. Eis que neste final de semana, após ler um texto do Marcelo Rubens Paiva - escritor que tenho enorme admiração e gosto muito, diga-se de passagem - me questionei por que não havia lido livros que há muito gostaria de ler. Na fila tem vários: Olga, O Que é Isso, Companheiro? 1984, Admirável Mundo Novo, O Lobo da Estepe, A Dama das Camélias, Madame Bovary... enfim... MUITA coisa. E já dava pra eu ter lido, certamente. Até porque nos primeiros anos de faculdade eu tive muito tempo ocioso e não aproveitei pra me dedicar à leitura. Me arrependo muito, pois poderia ter lido todos estes e mais tantos outros, inclusive os de Direito. Quando eu era mais nova e não tinha TV no meu quarto, na época que morei um tempo com meus avós, eu devorava literatura. Estava no Ensino Médio e me apaixonei pelas letras, tanto que pensei em cursar (Letras) - e filosofia também, após ler metade de "O Mundo de Sofia" ( eu tenho esse defeito de, por vezes, começar um livro e não ir até o final) -. E me apaixonei pelas aulas de Literatura. Só que não fiquei presa apenas àqueles livros recomendados. Minha mãe, modéstia à parte, é uma sumidade, pessoa muito culta, e contribuiu muito para as minhas escolhas. Li muita coisa boa, mas, obviamente, sempre e para sempre, falta. Quem lê, acredito que tenha essa ânsia de sempre mais. Estou rodeada de livros aqui. Tudo bem que dia de semana eu fico meio sem tempo, mas poderia dedicar algumas horas à leitura. O meu maior medo é ser medíocre como a maioria das pessoas, que não lê. Vou usar mais uma vez a palavra apaixonada, mas é isso que sou: apaixonada pelas letras. Muita coisa que eu li já nem lembro do começo, que dirá do final. O livro mais lindo que já li e que mais me marcou foi Olhai os lírios do campo, do E. Verissimo. Simplesmente fabuloso. Alguns livros que eu não li conheço a história, o que faz eu querer tê-los em minhas mãos. Às vezes penso que meu intelecto é limitado e que não estou apta para certas leituras, que não irei compreender. Pois bem, voltando ao Rubens Paiva, depois de ler seu texto resolvi pegar O Mito de Sísifo, de Camus, pra ler. Dei uma bela devorada, como há algum tempo não fazia, mas ainda não terminei. Ao meu ver, é uma leitura densa, que precisa de atenção. Mas estou gostando bastante dos "questionamentos" que me fazem pensar sobre vida, suicídio. E espero, daqui em diante, ler o quanto eu acho que é necessário. Na verdade acho que ler nunca é demais. O único problema é que como a maioria das pessoas não lê, fica difícil trocar informações, fica difícil conversar sobre livros. Aí acaba-se caindo nas trivialidades. De forma alguma quero me achar superior, quero achar que sou a que sabe tudo. Não, pelo contrário. Quanto mais eu leio, mais eu percebo que não sei nada. E que vou morrer sem ter lido tudo o que eu gostaria. Então, Lara, chega de procrastinar. Compra um abajur, vai deitar mais cedo e te deleita no prazer da leitura. Isso, sim, engrandece. Tudo bem, eu leio pra mim, não para os outros. Raras vezes, mas acontece, encontro pessoas que também gostam de ler e que se pode trocar informações sobre livros. O que me entristece é que as pessoas julgam muito a forma e esquecem do conteúdo. Atêm-se (é assim?) muito à casca. Já ouvi o absurdo de que eu deveria ser burra por ser "bonitinha". Agora, uma verdade é que muito tempo que eu acabo deixando de ler é por estar na internet, no twitter. Porque por mais forte que eu seja, às vezes (muitas) eu me sinto muito sozinha aqui neste lar. Sinto falta demais da minha mãe, do meu vô, de amigos... e aí é uma forma de não me sentir tão só. "Conversar" com pessoas que estão longe e que me fazem bem, que me fazem rir e me sentir menos só. Só que a internet toma muitas horas. Quando vejo já passei um tempão em frente ao computador. Tempo este que poderia estar lendo. Uma promessa que farei a mim: ao invés de levar o note pra PUC, levarei livros. As horas que terei livres me dedicarei àquelas folhas tão bonitas, cheias de palavras, que me fazem tão bem e, de quebra, enriquecem meu vocabulário. Porque, numa análise crua, o twitter em nada acrescenta, ou muito pouco. É apenas um meio de ter as pessoas mais perto. Não quero fazer parte das estatísticas que apontam que os brasileiros lêem, em média, 4,7 livros por ano (foi o que achei na internet, podem estar equivocados estes dados). Eu quero o mundo, os livros, os sentimentos, o conhecimento. Eu quero tudo. E esse tudo é pouco. Muito pouco!

Um comentário:

Unknown disse...

Marcelo Rubens Paiva leio desde pivete e adoro.
Sobre a obrigação de ler é o seguinte.Não deve ser uma obrigação,se você tem vontade de ficar na internet fica,só vai ler quando realmente te der vontade.Pode ser diferente para você,mas quando me obrigo a ler começo a ficar incomodado.Me incomoda a obrigação.O prazer da vida esta em você fazer o que quer.Nem sempre é possível.Mas dá para tentar.
Estou lendo pouco tbém,mas isso não me incomoda.Já li muito na vida por obrigação,por achar que deveria ser mais culto.Hoje realmente leio só por prazer.E leio bastante.
Uma boa é ler sempre antes de dormir.