Eu precisava de tudo isso pra aprender. Às vezes apenas um sentimento de rejeição não é o bastante. É preciso tocar nas feridas vivas, é preciso dilacerar um coração que já está sangrando e pisar um pouco mais pra fazê-lo gangrenar. Que aí as dores se acentuam e não há mais nada para fazer, nem mesmo juntar os pedacinhos e colar com super bonder. Até porque, pra poder ao menos tentar esquecer, é preciso que o encanto se quebre e que se enxergue a pessoa como ela é realmente, e não como a projetamos. Não estou dizendo que o ser em questão é culpado. A culpa é de quem espera, de quem cria. De quem vê o que não existe e tem por desiderato o impossível, o inatingível. A culpa é de quem se cega, de quem se entrega. De quem quer, de quem não desiste. De quem diz "espera, ainda podemos ser felizes". Não. Não podemos. Se não deu certo uma vez, não dará uma segunda. E nem uma terceira. Menos ainda uma quarta. Simples assim, não funciona. Não dá pra ser Saci e andar com um pé só; necessário que se tenha os dois bem rentes ao chão. A expectativa foi minha, eu que a criei. A única culpada fui eu. Ninguém mais. Eu me permiti sonhar, eu me permiti acreditar. Porque eu quis. Porque eu precisava. Pra me confortar. Porque me fazia bem imaginar uma possibilidade. Remota, mas uma possibilidade. Reconquistar. Não. Não tem como. Se não deu, não vai dar. Porque fica tudo desordenado, tudo bagunçado. Nada vai voltar, com perdão de ser redundante, ao início. Nada vai ser como era no começo. Na fase de conquista. De mostrar um ser diferente. Não. Não existe. Não dá, é inviável. Até porque já se conhece o outro. Já sabe como será. E fica fadado ao fracasso. Eu acho que tem meio que ver com aceitação. Ou não aceitação. Tipo que tu não aceita que tenha terminado daquela forma. Porque tu não queria. Porque não foste tu quem pulou fora. Porque tomaste um toco. Talvez seja isso. Aí quer voltar pra dar um novo fim. Mas isso seria uma espécie de vendetta, né? Com perdão aos apaixonados pelo VERNÁCULO! É. Pode ser. Pode ser que se tenha em mente, inconscientemente, que um novo começo seja diferente, que possa dar certo. Mas não vai. Simples assim. NÃO VAI!!!!!!!!!!! Porra. Entretanto, às vezes, a contrário sensu do que dizia o Pequeno Príncipe, o essencial é visível aos olhos, sim. É preciso que alguma situação concreta desperte ojeriza. É preciso ver com os olhos o que com o coração não se consegue. Mesmo que não exista. E aconteceu. Eu vi. Senti. Chorei, doeu, mas não morri, claro que não. Posso ter interpretado diferente, sim. Claro. Mas aquela situação toda me fez entender o que se passava. Me fez perceber que eu estava a virar uma marionete. Que meus sentimentos, além de manipulados, estavam sendo desconsiderados. Sem importância. Ali eu pude ver e aceitar. A projeção chegou ao fim. Pode ser só imaginação. De qualquer forma agradeço pelo desconforto causado. Estou bem melhor. Melhor não seria a palavra, porque, né, bem...o que é estar bem, o que é estar feliz? Deixo pra depois. Eu não gostei, eu não merecia e não precisava aquela situação ridícula de "olha só que legal, essa é minha miguxinha". E na verdade o que acaba machucando é a falta de consideração. A ingratidão. Amizade? Acho que nem isso. Não preciso de amigo que sequer se importa comigo. Que sequer tem interesse no meu bem estar. Que não vê o que sinto. Que sabe, mas faz de conta que não existe. Que não respeita. Não preciso e nem quero esse tipo de pessoa ao meu lado. Raros são aqueles que têm conteúdo, é verdade. Mas agradeço. Nesse caso, eu me basto.
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