Como disse Cecília Meireles alhures, "eu tenho fases, como a lua." Quando era bem mais nova, antes dos catorze anos, eu era meio avesa aos livros. Lembro que minha mãe pegou na biblioteca da UNESC um clássico do Erico Verissmo, Clarissa, para eu ler e só procrastinei. Desisti. No colégio, no primário, até que era meio "CDF", minhas notas eram relativamente altas, então eu sempre cumpria com as minhas obrigações. Sempre lia os livros para as fichas de leitura. Mas não era com prazer; era uma obrigação. E assim foi até o Ensino Médio. Até o 1o ano. Até porque, convenhamos, os livros que nos forçam a ler não são dos mais atraentes. Mas eu lia e até que me saía bem. Só não morria de amores. Para desgosto da minha querida genitora, pessoa muito letrada (duplo sentido, já que é formada em Letras) e intelectual. Até que um dia, como já devo ter dito aqui, comprei o livro da Christiane F. Dali em diante devorei vááááários livros. Estava tendo aulas de literatura no colégio e me apaixonara pela disciplina, tanto que pensei em cursar letras - ou filosofia, quando comecei a ler O Mundo de Sofia -. Houve uma época que fiquei sem internet, então me dedicava muito aos livros (aos de literatura, não aos do colégio, pois no Ensino Médio fui um fracasso como aluna). E graças a eles sei escrever de forma não tão errada. Porque como a mãe sempre diz, é lendo que se aprende a escrever. Só que passei por algumas fases, e ainda passo, de imensa preguiça. E me sinto culpada, me sinto mal em deixar tanta coisa para trás. Já era para eu ter lido muito, muito mais. Cada vez que entro em uma livraria fico enlouquecida e quero comprar tudo. Esse ano confesso ter andado BEM preguiçosa. Só que desde o fim de agosto, quando resolvi trocar meu orientador e meu tema de TCC, comecei a pesquisar e ler muitas coisas. Muitas mesmo. Claro, na minha área. Só que eu senti a necessidade de ler outras coisas, pois estava ficando cansativo ler SÓ coisas sobre a SAP. Aí puxei na minha estante um livro que há muito estava ali pegando poeria: A Dama das Camélias, do Alexandre Dumas Filho... aí li algumas páginas e releguei a segundo plano. Nesse ínterim li um livro sobre Bullying e quando terminei, decidi retomar a leitura colocada de lado. E DEVOREI. Tipo que li umas cento e poucas páginas em dois dias. Óbvio, com a minha ansiedade à flor da pele e minhas noites insones, nada mais justo. Adorei, adorei. É bem romântico, aquela coisa toda de morrer MESMO por amor... aí semana passada eu fui na Cultura (amoooooo aquele lugar) buscar três livros que eu havia encomendado para o TCC. Já que estava lá, fui dar uma olhadinha nas prateleiras. Me deparei com quem, com queeeeeeem? CLARICEEEEEEEEE! "A Maçã no Escuro." Peguei com muito amor e carinho e decidi levar. Ao lado tinha um livro do Carpinejar. Nunca tinha lido nada dele, somente os tweets. Lembro que há quatro anos a Mariah comentou que queria comprar um livro dele; desde então eu sabia de sua existência, mas nunca lera nada, a não ser os mencionados tweets. Peguei o livro e li atrás (não é contracapa, mas não sei como chama). E me chamou atenção, pois fazia uma crítica àqueles livros do tipo "Casais inteligentes enriquecem juntos.". Achei a sacada fantástica e resolvi comprar pra experimentar a linha de escrita dele. Comecei a ler e no dia seguinte a Dona Beatriz comentou comigo que havia uma crônica na ZH sobre o TCC. Chegando em casa fui pesquisar e era dele!!! Li e me identifiquei MUITO; é bem o que estou vivendo no momento. E segui lendo o "Borralheiro" e estou gostando demais!!! Carpinejar já está, sem dúvida, na minha lista de preferidos! E prometo a mim que a partir de agora voltarei a devorar os livros como outrora. Eles me completam. Estou longe de ser intelectual, mas de uma coisa eu tenho certeza, depois que comecei a escrever meu trabalho: não quero mais parar de pesquisar, tampouco de estudar. Ler, ler, ler e escrever. É disso que eu gosto e é isso que eu quero! Não há nada que me engrandece mais do que ouvir do meu orientador e, modéstia à parte, de outras pessoas, "tu escreve muito bem.". Por mais cética que eu seja em relação ao meu possível potencial, sinto-se orgulhosa ao escutar esse tipo de coisa. Para quem não nasceu rica e bonita, estudar é o que resta.
Um comentário:
Mas afinal vc. terminou o "Clarissa"?É um livro lindo.Preciso reler.
E vc.nasceu rica e bonita,não te faz.Rá.
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