sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Once upon a time...
Antigamente tudo que eu esperava de um relacionamento é que eu fosse cuidada. Em razão da minha carência, era só o que eu queria: que alguém cuidasse de mim. Como disse uma pessoa pra mim, talvez a ausência paterna faça com que exista uma carência, ainda que a falta do genitor seja suprida por outrem. Mas existe aquela lacuna... De repente por isso que eu sempre procurei me relacionar com pessoas mais velhas que eu. Até porque do conrário não daria certo. Em alguns aspectos pode ser que eu ainda não tenha amadurecido, no entanto, por outro lado, não espero mais ser cuidada. Eu aprendi, nesse terceiro ano morando sozinha, a me cuidar, a gerir minha própria vida, sem depender de ninguém, sem mendigar pela preocupação das pessoas, sem exigir mais do que podem me oferecer. É diferente esperar receber carinho e esperar que a pessoa te cuide. Tudo o que eu quero é paz, tranquilidade, algo saudável, sem neuras, sem brigas, sem desconfiança. Diferente das minhas duas últimas experiências, que foram desastrosas. Como já citei anteriormente, só vivi uma relação tranquila. E foi essa a pessoa que eu mais gostei, talvez por isso tenha sido a vez que eu mais sofri. Faz tempo... dois mil e quatro, pre ser mais precisa. Só depois de um tempo, só depois de viver dois relacionamentos fadados ao fracasso, é que eu pude perceber como foi bom o que eu vivi outrora. E que, apesar de ter sofrido, de ter me machucado, valeu a pena. Porque, na realidade, foi a mais intensa e mais verdadeira relação que eu tive, ainda que nem fôssemos namorados. Não precisa estragar as coisas rotulando tudo. Só que era algo tranquilo, que me fazia bem, não me deixava cheia de nóias, não fazia eu me sentir ciosa. Era, de fato, uma relação saudável. Ele em Floripa, eu em Criciúma... cada um vivendo a sua vida, nos víamos quando era possível... e havia confiança e segurança, coisa que nos meus últimos dois relacionamentos, apesar de longos, não houve. E isso é fundamental. Eu me sentia segura e ele também, por isso não brigávamos, não tinha cíume, essas coisas todas que desgastam. Foi algo rápido, passou depressa, mas foi intenso e, hoje eu sei, valeu a pena. Talvez seja a única relação que não me arrependa. Depois ele me machucou bem profundamente, mas teve hombridade o suficiente pra me contar o que havia acontecido, sem me enrolar. Hoje me parece que estou vivendo algo assim... faz com que eu me sinta bem, muito bem, aliás, segura, sem paranóias, sem cíume doentil, sem cobranças... faz eu me sentir, sei lá, alguém. Não um lixo, não um nada. É uma pessoa extremamente doce, afável... como poucas que eu conheço. E sei lá, desde já sinto um carinho imenso, incondicionalmente. Digo, independente do que acontecer. Porque até aqui já valeu a pena. Não me arrependo de nada. Já valeu a pena só o fato de tê-lo conhecido. Já basta. É alguém singular, isso eu posso afirmar. Um gênio tão bom, uma pessoa calma, tranquila... que me dá certo equilíbrio... que me tornou mais paciente... e mudou certos pontos de vista que eu tinha. Não tenho a pretensão de chamá-lo de meu. Ninguém pode se adonar de ninguém, porque aí desencadeia muita coisa ruim. Eu sou minha, ele é dele. Cada um tem sua vida. Cada um tem seus amigos. E não quero mais ser infantil ao ponto de dizer "não quero que tu fale com tal pessoa". Ninguém tem esse direito, até porque também não quero ser impedida de falar com os meus amigos. Estou muito bem assim, como tá. Exatamente desse jeito. A gente fica junto, conversa, se dá bem (sob meu ponto de vista, logicamente)... pra que eu quero mais? Sou bem tratada, como há muito não era. Foste um presente pra mim nesse ano. Aconteça o que acontecer, sei que valeu a pena ter me envolvido e ter nutrido um carinho tão grande por alguém como tu. Podes achar que é cedo eu dizer tudo isso, uma vez que não nos conhecemos tanto assim. Mas pelo pouco que te conheço posso afirmar tudo o que eu disse. Eu gosto de ti. Gosto da pessoa que és... tão inteligente, tão doce, com senso de humor... tão amável... Tá tudo bom demais assim. Não importa o que virá... como já disse, só o fato de teres entrado em minha vida já valeu a pena tudo... até algum possível sofrimento...
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