"A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais..."
É um turbilhão de pensamento e sentimento aqui dentro que eu me perco em mim mesma. Não consigo parar, não passa, não pára. Eu precisava andar com um computador o dia inteiro pra me escrever tudo o que vem à cabeça, porque eu não consigo, de uma vez, colocar tudo o que se passa aqui dentro de mim. Acho que nunca serei escritora. Não saberei escrever doutrinas de Direito. Agora se fosse pra escrever um outro tipo de livro... acho que até daria. Minha inspiraçã? CLARICE, indubitavelmente. Acho que ela e as letras do Renato Russo são grandes responsáveis por eu me sentir como me sinto hoje. Se é bom ou ruim... não sei. Tu deves pensar... "por que tu (no caso, eu) não escreves do word? ou num pedaço do papel e guarda só pra ti essas coisas???" Exatamente porque eu quero que TU leias... Aí eu estava viajando... no sentido literal (pelo bom uso do literalmente, aliás... apenas uma ressalva) e pensando... que eu não sei, mas reclamo demais de tudo e sempre quero mais e não consigo parar e pensar numa coisa, porque aquela coisa se parte em várias e vão surgindo outros pensamentos... e outras coisas eu vou querendo, me tornando, assim, insatisfeita com o que eu tenho. só que daí eu resolvi, em termos, deixar meu umbigo de lado e pensar na vida... não na minha, mas das pessoas. quer dizer, é difícil, né... porque não tem como se colocar na vida alheia, só que assim... fiquei pensando na quantidade de gente de fica sentindo dor física por não ter acesso a medicamentos... morrem nas filas esperando... e como deve ser horrível, indescritivelmente horrível... porque assim, quando se tem acesso... já é difícil... eu estou sentindo, agora aliviou, uma dor horrorosa nos seios de face... e pude comprar remédio, tomar algo que aliviasse, mas eu fico pensando em quem não pode, em quem obrigatoriamente tem que sentir essa dor... e aí eu me pergunto... PODE existir um deus??????? diante disso e diante de várias outras questões. tá, isso foi um devaneio, mas eu fiquei pensando em como tudo é injusto, no quanto as pessoas sofrem sem querer. sem ao menos poder escolher. voltando pro meu umbigo gordo, eu acho que encontrei um subterfúgio nesse monte de paracetamol. eu me vi como a macabéa, que tomava aspirina pra não doer por dentro. me iludi pensando que o tylenol iria fazer parar de doer aqui dentro tudo isso que tá se passando. todo esse meu desencontro comigo mesma. toda essa fase errada que está surgindo de novo e que eu não queria. todo esse dualismo de sentimento. mas não adianta. dói por dentro, dói por fora, fisica e psicologicamente. dói aqui, ali, lá... em tudo dói e em tudo fica um pouco de dor. eu já me acostumei com isso, só que às vezes eu me engano. eu engano a mim mesma. porque por ora essa dor fica escondida e eu penso que ela foi embora pra sempre. mas não, ela fica latente pra, de repente, vir à tona. e fazer sentir tudo que eu já sentia aos dezesseis anos, quando mal sabia o que era existir, quanto mais viver. daí que também tem aquela coisa toda de eu me cansar da vida. de eu cansar de viver.
"ya no quiero ser sólo un sobreviviente, quiero elegir el día para mi muerte" só que, ao mesmo tempo, eu quero viver tudo e todo o tempo, cada pedacinho... pra não morrer sem ter vivido. no entanto me vejo cansada diante de tudo isso, diante da rotina, diante da dor, das agruras e percalços. e aí eu te pergunto, me pergunto... acho que por medo eu acabei querendo criar uma imagem de pessoa forte... auto-suficiente (ou sem hífen, sei lá. pra que essa reforma a essa altura da vida, não é meZZZZZZZZZmo?)... que consegue se auto-gerir... que não precisa de ninguém, só da ajuda financeira da mamãe. e aí eu te digo... que eu sou tão fraca quanto eu não pareço ser. e que eu estou desabando. estou caindo. e preciso me levantar, me reerguer. e mais: talvez eu quisesse dizer que preciso das tuas mãos para que eu fiquei de pé. talvez eu quisesse, da mesma forma que gostaria, não precisar delas pra me pôr de pé. a verdade é que eu preciso, sim, mas eu farei isso sozinha, eu mesma, com essa força que eu busco dentro sei lá de onde. quem sabe das ostras... no calcário. calcário, calvário... tudo é dor. e às vezes um corte ajuda um pouco, sabe, a colocar pra fora tanta coisa que passa e que não se sabe como lidar, como agir, pra onde jogar. "e a dor é menor do que parece, quando ela se corta ela se esquece que é impossível ter da vida caaaaaaaaalma e força". é tão difícil crescer. é complicado lidar com tanta responsabilidade. é difícil partir, é difícil estar viva, sentir-se viva. e é mais difícil ainda, diante de tudo, não ser contraditória com tudo que vem daqui pra fora, de dentro pra fora. da minha cabeça. porque, né. piegas demais dizer que eu escrevo com o coração. agora que me dei conta que não coloquei as palavras em início de frase com letras maiúsculas... mas agora já era, estou com preguiça para mudar tudo. parece assim, não sei dizer, um bate-estaca dentro da minha cabeça. uma coisa que fica martelando. que não cessa nunca. eu vou dormir e não consigo. fico pensando. o sono se perde em meio a tanta coisa. e eu penso nisso aqui e, no mesmo instante, em outra coisa. penso em mim, na minha mãe, na vida, em como tudo está, como as coisas se deram, por que desse jeito, por que não daquele, por que assim... e são outras tantas perguntas sem respostas. só que agora não vejo mais a vida passar sem eu estar vivendo. porque de um jeito ou de outro eu até tenho me sentido viva. só que eu queria muita coisa diferente. queria minha mãe perto. se não desse, que pelo menos ela não estivesse como está... porque isso me dilacera também. mas pra ser bem sincera, eu sinto muita saudade da minha mãe, fico triste por não tê-la por perto sempre, por eu não estar convivendo com ela. e quando eu vou pra lá o tempo passa tão rápido... eu queria poder chegar do fórum, todos os dias, e encontrá-la me esperando para comermos juntas... pra gente ver qualquer besteira na televisão, escutar uma boa música, conversar, ainda que sobre frivolidades... eu aprendi a viver na solidão, aprendi a lidar com esse vazio dentro de mim e da minha casa. aprendi a viver sozinha, a morar sozinha... a não chorar todos os dias. só que tem dia que é difícil demais ter que encarar o mundo desse jeito... desamparada... chegar em casa e estar totalmente sozinha. chegar em casa e ter as paredes pra olhar... e a voz mais doce ser de uma canção qualquer. às vezes eu me canso diante disso tudo. de menos, até. canso de mim. de ter que acordar e me olhar no espelho. porque, né. eu vou escovar meus dentes e no banheiro tem um espelho, então quase que obrigatoriamente eu vejo a minha imagem refletida. tem dias que nem isso eu queria. são os dias que eu penso como seria bom ser abduzida. e eles têm sido muito frequentes. eu não sei, eu não sei, só sei que eu sei, mas eu não sei mais. pra onde ir. se vou, se fico, se não, se sim. se agora, depois, nunca. se...... e quando. pra quê. por quê? onde, aonde, quem? não sei. eu?
Nenhum comentário:
Postar um comentário