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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Something is missing...II

Hoje fui ao centro comprar um presente para a minha amiga secreta. Não sabia bem o que comprar, pois não sou boa em presentear. Procuro escolher algo que eu também iria gostar de ganhar. Comprei um creme da Victoria's; por mais que ela já tenha, não é demais. Aí eu também resolvi me presentear. Escolhi uma outra fragrância pra mim e saí da loja. Criciúma não é a melhor cidade para comprar livros, pois, até onde eu sei, só tem a Fátima mesmo. Fui até lá sem nenhum título em mente. Olha, é pequena, pequenina, se comparada à Livraria Cultura. Mas mesmo assim já foi o bastante pra me deixar BEM indecisa, mesmo que não tenha tantos títulos. Um que eu me recordei quando estava lá, A Insustentável Leveza do Ser, só sob encomenda. Nevermind. Eu sou imediatista: quero as coisas quando as desejo e minha vontade era de sair de lá com as letrinhas em mãos. Passei os olhos por diversas estantes. Os best-sellers e auto-ajuda ignorei com força. Fui nas prateleiras  de Romances, Contos, Literatura Brasileira - que, diga-se de passagem, não sei se pela data, estavam bem defasadas -. Clarice Lispector nem sombra. Ah, pra não mentir, tinha uns escritos que eu desconhecia, inclusive, direcionados a adolescentes, quer dizer, né? Montanha Russa, da Martha Medeiros, fiquei em dúvida se já tinha lido. Jorge Amado eu não ia gastar dinheiro porque aqui em casa tem uma coleção, acho que completa, embora seja antiga. Mas é livro igual. Cecilia Meireles não, Fernando Sabino NÃO, Paulo Coelho...sem palavras. Luis Fernando Veríssimo até pensei em comprar, só que me dei conta de que é uma leitura rápida demais e meio que sempre na mesma linha. Enfim, não tinha tanta coisa assim. Aí me deparei com um do George Orwell, "Dentro da Baleia". ACHO que já tinha ouvido falar, no entanto, quando se fala dele só me vem à cabeça "1984" e "A Revolução dos Bichos". Li o verso, gostei, "vou levar". Encontrei um de uma escritora que há um tempo queria ler, Claudia Tajes ("Meus Quase Dez Amores), a míseros treze reais. "Ah, vou levar também". E aí, andando mais um pouco, meus olhos pediram para eu pegar um "Tarja Preta". Me pareceu bastante interessante e "ah, mais esse aqui". Por mim, teria escolhido mais alguns. Só que a vida não tá fácil pra ninguém, então me contentei com estes. Confesso, como já escrevi aqui, que em 2010 andei BEM preguiçosa pra leitura. Na realidade eu nem sei direito o que li; ainda bem que existe o Skoob pra me lembrar. Apesar de não ter lido o que considero suficiente, entrar numa livraria sempre  me fascina. E eu também não comprei quase nada de letrinhas. Só uns dias atrás que achei que merecia e comprei dois, sendo que um devorei e o outro estou me arrastando um pouco, pois estou achando um pouco chatinha a história. Sempre existe dentro de mim uma vontade incomensurável de ler, ler, ler. Nunca será o bastante. Um dos meus objetivos pra 2011 é ler muito. A internet atrapalha minha vida, é verdade. Agora na praia terei bastante tempo ocioso para me dedicar a esta viagem tão fabulosa que é mergulhar nos LIVROS. Agradeço minha mãe, porque foi por causa dela que despertei o gosto pela leitura. Escrevi tudo isso porque sou PROLIXA. O que eu queria dizer com todas estas palavras é que sou vazia. Existe em mim um enorme vazio que eu não sei explicar, porém sei sentir. Ausência não sei do quê. E tento preencher com as letrinhas: músicas, livros, filmes. E mesmo assim não consigo. Um vazio existencial. Falta algo para completar e eu nem sei o quê. Estava descendo as escadas do meu prédio e senti este vazio todo. E precisei escrever. Pra ver se passa. Talvez por isso eu tenha alguns momentos de compulsividade alimentar: pra tentar preencher tudo. É engraçado dizer, mas de tanto sentir, não sinto nada. Ando tão alheia, tão assim que não sei. Acho que me tornei uma pessoa fria. Quero dizer, as pessoas me falam as coisas e não mexe comigo. Ninguém mais mexe comigo. O que será que aconteceu?! Cansei de me iludir? Ou de fato estas pessoas são as certas na hora errada? Ou as erradas na hora errada?! Ou a errada sou eu?!  Me sinto mal por não sentir e não poder corresponder as expectativas alheias. Me sinto mal em saber que alguém quer ficar comigo e que eu não tenho nenhum sentimento em relação a isso, a não ser me odiar por despertar tal sensação em alguém que eu não estou interessada em me envolver. Na realidade não estou interessada em me envolver com ninguém, unless.. bom... Engraçado. Geralmente as coisas acontecem ao contrário: sou eu quem se interessa pelas pessoas que não estão nem aí pra mim. E agora eu não sei lidar com a situação. Não sei o que dizer. Logo eu que prezo tanto pela transparência... não sei chegar e dizer. Não sei explicar. É complicado e não queria estar diante de uma situação assim. Prefiro sofrer a saber que alguém está sofrendo por mim. Me sinto má, me sinto ruim... só que eu não posso ficar com alguém porque estou com pena; acho que é muito pior. Desculpa mesmo. Desculpa não corresponder. Não queria que fosse assim...O pior é que acho que a pessoa idealiza uma coisa que eu não sou. Sei lá. NÃO entendo como alguém, em sã consciência, pode desejar um ser tão torto como eu.

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