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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vergonha do que mesmo?!

Lembro que eu estava conversando com uma amiga há algum tempo - amiga esta que, diga-se de passagem, é macérrima (não, magérrima NÃO!) - e reclamando que eu havia engordado (efeito sanfona pro resto da vida, obrigada!). E disse a ela que eu sentia vergonha de ir à academia naquele estado em que me encontrava. Claro, um pouco de exagero meu. Só que como tenho pouca altura, qualquer dois quilos que eu engorde já faz diferença. E como esta amiga não é pessoa de meias palavras, é sincera demais, me disse, ao invés de passar a mão na minha cabeça: "vergonha do quê???? tem que ter vergonha é de ser gorda." Não, eu não acho que seja uma vergonha ser gordo. Só que eu já fui mais do que sou hoje e sei o quanto é dolorido, o quão discrimiado se é por estar "um pouco" acima do peso e das medidas ditadas sei lá eu por quem. Fazer dieta é uma merda e tem que ter muita força de vontade pra abrir mão das coisas boas que existem por aí. Como disse uma outra amiga, "existe pizza, chocolate, essas coisas, e a sociedade exige um padrão de magreza". É realmente muito difícil passar longe dessas guloseimas - tá, não são coisas saudáveis, porém deliciosas! -. Especialmente quando se é ansioso. Na hora de "surtos" vai qualquer coisa. Da bolachinha sem graça água e sal ao Lindt. Acho, sim, que por vezes ser gordo significa na falta de auto-controle. Por exemplo, eu olho as minhas fotos de antigamente e penso como pude perder as rédeas da situação e deixar com que eu chegasse naquele tamanho todo. Só que quando a gente está bem acima, não se vê como realmente é, o que ainda acontece comigo. No entanto hoje eu me vejo muito maior do que de fato sou. E antes eu não tinha noção das minhas medidas. Me olhava no espelho e achava que tava gordinha, mas nada de mais. Até subir na balança e ver que estava MUITO acima do ideal pra minha altura. Ok, sei que isso é mais um clichê e que nem sempre dá pra se levar em consideração, mas o fato é que eu estava muito redonda. Nessa época meu vô tinha condições de pagar um personal pra mim e comecei a frequentar uma academia. Depois eu fiquei "desgostosa" com o instrutor, pois ele era uma pessoa meio grosseira. Não lembro ao certo como procedi. Ah, antes desta eu ía numa outra, que era altas academia, mas desisti porque nunca curti puxar ferro. Bom, depois da segunda academia não lembro ao certo o que fiz, porém acho que fiquei um tempo sem frequentar, cuidando só da alimentação. Aquela subida na balança foi o começo do meu emagrecimento. Um começo que até hoje não teve fim e que me atormenta. Me faz chorar, faz eu me odiar, me sentir feia, rejeitada, pensar que tudo dá errado pelos quilos a mais. É um verdadeiro tormento e eu espero, sinceramente, que um dia eu consiga lidar de forma positiva com isso, digo, me olhar no espelho e me sentir satisfeita. Aconteceu uma vez. Mas foi algo efêmero. Estava quase no peso dos meus sonhos, só que era verão e fui pra casa. Engordei 3 kg e não consegui mais. Neste ano atingi um peso que há 4 anos não tinha. Me vi desesperada. E final de ano, provas, ansiedade maior que o normal... não consegui emagrecer NADA. E ficava cada vez mais ansiosa por isso. Pelas calças apertadas, pelas blusas que ficavam feias em mim, por me sentir muito enorme... Tentei hidro, não emagreci. Aí resolvi fazer musculação. Só que, lógico, me matriculei pra fazer a parte aeróbica; eu detesto o ambiente de academia, odeio puxar ferro. De fato, caminhar e correr ajuda muito. Já consegui emagrecer dois dos quatro quilos que eu engordei durante este ano. E em pouquíssimo tempo. Esses dias queria caminhar na rua, queria sentir o mundo em mim. E me veio aquele pensamento de vergonha. Mas vergonha do quê? De querer emagrecer? Veio à cabeça o que minha amiga disse. Tive que relutar com meus pensamentos ruins. Coloquei uma roupa adequada e decidi que ia mudar de rumo. Não ia caminhar pela Cristóvão e sim pela Independência. Fui até o Parcão. Ida e volta totalizaram uma hora. Aquela uma hora recomendada pra perder peso. Perder, não. ELIMINAR. E eu me senti tão bem fazendo isso que decidi repetir no dia seguinte. Só que mudei a rota. Fui até a Dr. Timóteo. Não sabia onde eu iria sair descendo aquela rua, mas mesmo assim achei que já tava grandinha o suficiente pra ficar com medo de me perder. E não é que acabei na Cristóvão? Descobri, nessas caminhas diárias, que comecei sábado, o que eu gosto de fazer, já que nadar fica meio ruim: andar ao ar livre. Pena que descobri isso só agora, senão poderia explorar melhor esta área. Mas não tem nada, não; quando eu me mudar explorarei bem outro lugar. Fiquei feliz com isso e tenho como meta caminhar muito em 2011. Ao ar livre. Nada de esteira. Nada de academia. Sentir o vento no rosto, ver pessoas, ver movimento. Nada de andar sem sair do lugar. Agora que estou indo pro Rincão pretendo caminhar todos os dias à beira-mar. Duas vezes, se possível. Primeiro pra emagrecer, depois pra manter. Demorei, mas achei algo que me dê prazer. Porque é horrível fazer exercício como obrigação. "TENHO que ir à academia". A vida já tem muita coisa em que se é obrigado a fazer. Deixa isso para o que importa, como estudar, trabalhar, acordar cedo. Caminhar passará a ser um hobby. E pra 2011 tenho outras metas também. Estudar mais, ser mais dedicada, conseguir um estágio novo, um lar novo, tudo novo. Quero tudo novo em 2011. Um corpo novo. Uma cabeça com ideias novas, mais filmes, livros, menos balada. Não quero repetir os erros de 2009 e 2010. Não quero ficar podre de bêbada. Não quero passar pela horrível experiência, de novo, de perder quem eu gosto por deslizes - talvez tombos - meus. Só quero ser uma pessoa melhor, mais centrada, mais focada no que tem relevância. Amor novo? Hum... não consta nos meus planos. Até porque além de não acreditar em amor, acho que isso acontece independente de a gente querer ou não. Se eu pudesse... bem, deixa pra lá. Quero dizer, se eu pudesse voltar e arrumar certas coisas, consertar certos erros, eu até faria isso. Só que é impossível, né?! Então deixa assim. Eu espero. E o que tiver que ser... será?!

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