domingo, 28 de junho de 2009
Domingo. Outra vez. Segunda-feira se aproxima. Terça está quase aí. E quarta, provavelmente, estarei em Criciúma. A única coisa que me faz ter vontade de voltar para lá é saber que encontrarei minha família com saudade. Que estarei junto à minha mãe. Sentirei a presença do meu vô. Só isso para me alegrar lá. Porque, de resto, quero esquecer aquela cidade. Província. Pessoas feitas em série, tudo igual. Pensamentos pequnos, microvisão (é assim que escreve?) de mundo. Muita coisa que ficou para trás. E que não me fazem falta. Se não fossem eles, certamente não iria mais para aquele lugar. Não tem por quê. Não tem pra quê. O que vale mesmo é estar ao lado deles, ainda que ouvindo a rede vida diuturnamente. Sim, essa parte eu queria esquecer também. E meu sono será interrompido, todas as manhãs, por frases repetidas como: "jesus, jesus, jesus". Ou com os pratos sendo quase quebrados na cozinha. Aspirador de pó. Missa na televisão. Ah, se eu pudesse acabar com a rede vida... que sonho!!!! Porque, não contentes em assistir o dia todo, é no volume máximo. O lado bom disso tudo é que terei comida caseira, diga-se de passagem, na mesa... meu quarto limpo e arrumadinho, banho quente, carinho. Ok, analisando por esse prisma vale a pena. Tudo bem que ficarei dentro da casa. Se bem que irei, com a mãe, visitar pessoas queridas. É, ok, ok, não é de todo o ruim. Estar ao lado de minha mãe, meu vô e minha vó já é bastante. As pessoas mais importantes para mim. E sei que eles sentem a minha falta. Não poderia ser diferente, pois eles me amam. Assim. Desse jeito mesmo. Com todos os meus erros, defeitos e, embora poucas, qualidades. O meu maior desejo é que meu vô esteja bem de saúde, como está hoje, forte, para ver eu me formar. Porque ele é, na verdade, o meu pai. Ele foi mais pai do que vô. E a minha mãe foi mais que mãe e pai. E é. Continua sendo e será. Quero que eles possam se orgulhar de mim. Que possam ver eu consolidar uma carreira, seja onde e como for. Porque é a eles que eu devo isso. Claro, além de mim. É muito importante para mim que ele vá à minha formatura. Ver que valeu a pena o que ele fez, que deu certo, que eu consegui, já que, por circunstâncias alheias à vontade dele, ele não pôde se formar em Direito. É engraçado, porque por mais que conversemos só o trivial ("como vai a faculdade?", "como está POA"?...), estar lá é saber que ele vai estar perto. Sim. Óbvio, mas é isso. Saber que ele está ali. Pronto. Isso basta. Em julho ele fará 80 anos... porém não parece. Como passou rápido. Farei esse sacrifício de abandonar minha cidade querida. Sentirei saudades, amor!
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