"Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define."
Que pressa, que ânsia. Em ser. Em ir, voltar, estar, permanecer, ter,continuar. Chove. Não consigo mais me concentrar. Meu corpo não pede por descanso, mas minha cabeça sim. Queria tirá-la e deixá-la em um canto. Sozinha. Parar, por uns segundos, de pensar. De respirar, por que não? Hoje aconteceu uma coisa que me fez pensar mais ainda sobre viver, estar viva. Estava voltando da aula, de ônibus. Hesitei um pouco em pegá-lo, pois demora até chegar até a parada. Mas pensei ser melhor do que pegar outro, que demoraria mais ainda para eu chegar em casa. Aí que eu pensei que, de repente, se a gente resolve mudar o que está acostumado a fazer pode acontecer algo inesperado. O ônibus entrou na Cristóvão e passou um carro da "brigada" com a sirene ligada, meio rápido. De repente o ônibus ficou parado. Não entendi o porquê. Pensei que o sinal estava fechado. Aí eu vi que as pessoas estavam olhando para frente, meio perplexas, e resolvi olhar o que se passava. O carro estava estacionado, com uns policiais correndo. Eis que vi um com uma arma na mão. Que fatalista. Já comecei a imaginar que ele iria disparar aquela arma, que iria acertar as pessoas que estavam no ônibus, inclusive eu. Bala perdida. Que trágico. Toda uma vida (não a minha apenas) que, em questão de segundos, poderia acabar. Porque, né, eles primeiro atiram, depois perguntam. Minha mente alucinada já viu o que, não necessariamente, seria imprevisível. Fiquei com um certo pavor quando avistei toda aquela movimentação. O que eu poderia fazer? Pensei, inclusive, em me abaixar... mas como ninguém o fez, fiquei sentada, observando como se dariam as coisas. No fim, claro, não aconteceu nada. Até porque se tivesse acontecido acho que eu não estaria aqui ahahaha. Já vi minha mãe chorando, pensando como o mundo é violento, como as pessoas são más, por que foi acontecer justo com a filha dela. É, que fértil que é essa cabecinha oca! Agora estou aqui, bem vivinha, ilesa, pensando como eu fugirei de casa... :D
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