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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Assim, ó. Cada vez mais que eu vivo, mais eu aprendo que a gente nao pode ter medo. e eu vou escrever assim, errado mesmo. vou me fazer valer de mario de andradade, que tinha liberdade literária e nao pontuava. eu vou abolir as maíuculas, tils, acentos, o que me der vontade. também posso gozar dessa tal liberdade, ainda mais que nem escritora eu sou. e se ficar parando pra pensar onde tem acento, onde nao tem, as ideias fogem e aí já eras o que eu precisava exteriorizar. essa é uma palavra que eu uso bastante, na verdade eu perdio o foco, como diz meu professor. perdi o foco do que eu estava querendo escrever. ah, lembrei. entao... a vida é uma loucura, cheia de incertezas, dúvidas, percalços, dores, dissabores, mas há que se enxergar o lado bom. esse seria o ponto onde as pessoas gostam da gente, a gente gosta delas, querem estar conosco. refiro-me a familiares, amigos, nao a um grande amor, ate porque, a essa altura da vida, ja desacreditei. é difícil viver, é difícil lidar com tudo que passa dentro da gente, é difícil alinhar as coisas todas, organizá-las, principalmente no que toca a sentimentos. mas é assim. e, dizem, pra morrer basta estar vivo. a gente nao leva nada daqui... por isso nao pode se apegar a medo disso, daquilo, medo de viver. eu tenho uma ânsia de estar viva, de devorar livros, ler todos, viver. ser. estar. aqui, lá, em nenhum lugar. existir. me esconder. eu quero aproveitar tudo, quero viver como se nao houvesse amanha, e quando a gente opta por isso tem que fazer algumas renúncias, inclusive pelo medo. nao dá pra viver intensamente com medo. ele atrapalha na tomada de decisões. talvez por isso eu consiga me ferir tanto: porque eu nao uso a razão. eu esqueço que ela existe. sei lá. eu nem sei mais agora. já me perdi. aliás, eu vivo me perdendo em mim, em meus pensamentos, em minhas contradições, nessa caminha errada... nesses percusos sinuosos que me causam estranheza e um frio na barriga. deleitar. deleite. é uma palavra que, apesar de tudo, anda bem distante do meu vocabulário. ultimamente só tenho experimentado os dissabores e as agruras. poucos têm sido os momentos de alegria. ultimamente eles se dao quando estou perto da minha mae, ou seja, raramente. mas melhor que nada, nao é mezzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzmo? eu vou pegar algumas folhas de caderno, uma caneta, refil, uma mochila com meia dúzia de mudas de roupas, uma sandália e vou partir pelo mundo. vou largar esse curso, largar essa monotonia, toda essa rotina. vou ser errante e nômade, conhecer o mundo afora. e nao vou voltar mais. hoje aqui, amanha nao se sabe. bem longe, distante. vou sumir. vou ser abduzida. vou me entregar pro mundo. vou ser eu. vou deixar tudo pra trás. esquecer o que ficou e o que punge. estudar pra que se a gente vai morrer? ler pra que se nao tem com qm conversar? viver pra que se existem tantas vidas e tantas pessoas que vivem melhor que eu querendo viver e nao podem porque lhes falta algum órgão vital? vou dar adeus à plateia (agora é sem acento mesmo, tanto quanto ideia) e vou sair de cena. vou deixar o caminho livre. quem quiser encenar que se sinta à vontade. pois eu cansei de todo esse teatro e toda essa ficção. sabe? não. isso nao é uma carta de suicídio. ate porque, ne? seria no mínimo ridículo eu fazer isso via internet. é pra elucidar. é que a gente usa metáfora. e nem todo mundo sabe interpretá-las. tem gente que enxerga, vive, sente tudo no sentido literal, que nao sabe interpretar a essência das coisas, e aí acaba levando para um lado bem errado, nonsense. é que, sabe, tem horas que cansa fazer tudo certinho, ter uma vida regrada, rotina etc... ser boa gente, com caráter, retidão,ter um coração burro, puro, que se parte facilmente. e daí que eu estou me contradizendo? a vida por si só o é. se não fosse, a morte não estaria aí, à espreita. só que, "apesar de", nao consigo ser diferente... então eu abro as cortinas, saio à francesa... ninguém dará falta mesmo. vou saindo de mansinho, me escondendo por aí e vivendo com calma. esperando. o quê? e eu sei lá? esperar o quê? de quem? chega uma hora que a gente nao espera mais nada. nem da vida, nem das pessoas. o mundo é feio. por isso que, embora possa ser boa parideira, nao vou enfiar mais gente aqui. o mundo é horroroso. vil. e eu aqui, com as asas retalhadas, querendo alçar voo, frustrando as tentativas.meu cordão umblical foi cortado de forma abrupta, mas assim é que precisava ser. ou seja (uma professora me disse que nunca se usa "ou seja", "isto é", porque transparece dúvida... sei la, ne), estou desamparada, desprotegida, caída. mas quem precisa de proteção quando se tem uma vida (curta) pela frente?

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