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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Lembro-me de quando comecei a "tomar gosto pela leitura". Minha mãe sempre me incentivou, mas não tinha jeito, eu era preguiçosa - e como me arrependo disso!!- Tentei ler Paulo Coelho, mas sempre com certa relutância, pois já havida sido incutido em mim um certo preconceito literário. No entanto confesso que cheguei a ler "Verônika decide morrer." Tentei ler "O Alquimista", mas não deu. Aí deveria estar com uns 14 anos. Certo dia, após ter assistido há uns anos ao filme "Eu, Christiane F., 13 ano, drograda e prostituita", deparei com o livro homônimo em quando minha mãe comprava livros para ela. "Mãe, posso levar?" E ela disse que sim, mas de imediato disse que não sabia por que se eu nem iria ler. Nessa época eu estava sem internet em casa. Estava morando com meus avós, enquanto minha mãe se dividia entre Guarulhos, Curitiba e Criciúma. Este foi um momento bem doloroso da minha vida, pois eu ainda não estava pronta para a separação, sequer tinha maturidade pra tanto. Aí eu comecei a ler o tal livro e devorei-o com muita ânsia: queria saber o que iria acontecer com aquela menina, bem mais nova que eu, que havia se entregado a uma vida incomum para os padrões. Sem falsa modéstia, eu sempre conheci muitos autores, muitos nomes de livros, em virtude do bom gosto literário da minha mãe. Ela sempre me contava histórias, então se alguém me perguntasse, ainda que na época eu não tivesse lido Machado de Assis, se Capitu traiu ou não Bentinho, eu já conseguia me posicionar com base no que escutara minha mãe me contar. Só que sei lá por que, talvez preguiça, não lia. Só ouvia as histórias. Minha mãe sempre leu muito, começou com o Tesouro da Juventude aos 12, 13 anos. Meu vô comprava coleções porque na época era bonito e suntuoso "enfeitar" as prateleiras com livros. E a mãe usufruiu bastante desses "adornos." Eu até me sentia meio ignorante, mas era necessário que despertasse a vontade em mim. Com uns 13 anos a mãe pegou na biblioteca da UNESC, quando lecionava lá, Clarissa, do E. Verissimo, só que não li; só tive maturidade pra fazê-lo no Ensino Médio. E nesse ano que eu li Chistiane F eu estava começando a ter aulas de literatura no colégio. Fui ficando fascinada por aquela disciplina, sendo uma das poucas visto que a maioria detestava, inclusive porque exigia leitura. Depois eu lembro que comprei um livro aguinha com açúcar, O Diário de Bridget Jones. Li rapidamente, talvez em dois dias... só que fui ficando exigente. Não pendi pra esse tipo de livros. Nas aulas de literatura fui conhecendo um pouco mais dos livros que outrora minha mãe havia mencionado. A professora nos contava, por cima, sobre o que se tratava a obra. E aí fui me apaixonando. Foi uma época em que li muito mesmo. E que li o livro que até hoje foi o que mais me marcou: Olhai os lírios do campo. Pra mim, é fabuloso. E aí fui percebendo que quanto mais eu lia, mais livros havia para serem lidos. E isso dá um tipo de frustração... Comprei alguns que nunca terminei de ler porque simplesmente não gostei. Porém esse período marcou bastante o meu início e minha paixão pela literatura. Obviamente que hoje, aos 22 anos, ainda há muitos escritores que nao li, mas que tenho vontade e lerei, como Dostoievski, Victor Hugo, Gustave Flaubert e sua Madame Bovary, Baudelaire e As Flores do Mal, dentre tantos outros. Aí, desde que eu comecei a faculdade, eu voltei a ser preguiçosa. Não que tenha parado de ler, li bons livros também, mas muito menos do que deveria ter lido. E quando eu não estou lendo algo, sinto-me culpada!!! E sinto um vazio... Aí eu comecei a ler, semana passada, "Mentes Perigosas". Digamos que eu devorei. E aí voltou aquela minha ânsia dos 16 anos. Quero ler tudinho que ficou pra trás. Mais: descobri que a biblioteca da PUC não serve apenas para retirar livros de Direito. Resolvi aproveitar esses dois anos e meio que ainda faltam para eu me formar e ler o que deixei de ler desde quando entrei na faculdade. E arrumei um tempo: no horário após o almoço, que preciso esperar pra ir pro estágio, ficarei na biblioteca lendo... ainda mais que lá tem ar-condicionado, hehehe. Redescobri a literatura, reencontrei meu amor pelos livros e pelos romances e pelas poesias... Ai, ai... não vou mais parar. O Juridiquês que fique de lado. E nas férias vou aproveitar pra ler os livros que exigem mais atenção... como "Cem Anos de Solidão", do Garcia Márquez. Estou muito contente com isso, agora não ficarei mais com aquele peso na consciência. Já anotei vários títulos para eu ler quando terminar esses que eu peguei... ai, ai. De alguma forma preciso me sentir plena, preciso me sentir preenchida. E os livros amenizam o meu vazio, fazem com que eu saia da minha realidade e atravesse outros mundos. Ah, perde que não lê. O problema é que, como a maiora das pessoas não tem esse hábito, sem querer ser presunçosa, não tem com quem conversar... :(

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