quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Aos meus leigos olhos quando uma coisa começa a incomodar a pessoa, é doença. Claro, juntando isso ao meu parco conhecimento sobre psicologia devido às aulas que eu tive com a prof. Samantha. Um remédio pra isso pode causar glaucoma ou/e pedras nos rins, que tal? O que fazer diante disso? Continuar sofrendo ou se arriscar? Nesse ponto eu não me arrisco, não. Até porque eu não sou fiel aos tratamentos que me submeto; nunca consigo ir até o final porque, além de achar um saco tomar remédio, eu me esqueço... Acho que escrever é uma catarse pra mim. Me alivia muito mesmo. Talvez devesse escrever esse amontoado de besteiras em algum caderno pra não correr o risco de alguém ler. Só que como eu sempre escrevo muita coisa, minhas mãos cansam facilmente e não consigo escrever tão rápido quanto a velocidade dos meus pensamentos. Aí aqui fica mais rápido. E por que não no word? Não sei. Talvez porque eu queira que alguém leia, sei lá, e de repente me ajude ou se ajude, se identifique com o que eu escrevo. Como diria Clarice, que seja por conta e risco de cada um. Não que eu, sinceramente, ache que alguém perca tempo lendo meus pensamentos, mas enfim. Voltando ao que eu estava dizendo, acho que a compulsão alimentar se equipara ao alcoolismo no sentido de que o alcoolista nunca deve dar o primeiro gole tanto quanto quem sofre de compulsão não deve dar a primeira mordida, pois uma vez que se come algo, a vontade de comer não pára. Minha sorte que aqui em casa quase nunca tem nada e quando tem, são coisas com calorias baixas... porém quando estou em Criciúma me excedo... e na rua também, às vezes como besteira. E muitas vezes não é fome. É vontade de comer. E é um vazio que não é preenchido nunca; parece que não há fundo. E sempre fica faltando alguma coisa, um sentimento de ausência... e depois disso vem uma culpa homérica. "Por que eu fiz isso? Pra que comer tanto?" É difícil lidar. É difícil ter autocontrole. Porque acho que é uma coisa que realmente não tenho e preciso trabalhar, pois me atrapalha MUITO. Muitas vezes nem sinto direito o que estou comendo, só penso em comer mais. Por exemplo, hoje comprei um sorvete (ok, não deveria...) e comi pensando num segundo... pra quê???? Fluoxetina até ajuda um pouco, sabe, mas de repente meu corpo se acostumou e não adianta como quando eu era mais nova. Quem sabe deva tomar uma dose mais alta, sei lá. O fato é que também esqueço... queria me livrar disso, porque esse meu comportamento, além de me machucar, sabota todas minhas dietas e nunca consigo chegar ao peso que eu quero e que sei que me fará sentir bem... esse efeito sanfona... e essas estrias rasgando no meu corpo. Porra, eu só tenho vinte e três anos, não era pra eu ser tomada de estrias. É um inferno isso e não consigo ver uma saída... terapia quem sabe, mas não tem ajudado muito, não. Outra coisa... a ansiedade também é descontada toda em cima da comida. Se eu não fumasse... nem quero saber de que tamanho eu estaria. Porque o cigarro ajuda a dar uma aliviada nesse turbilhão de sensações, sentimentos... sei lá... por que não consigo jantar como todo mundo, comer duas fatias de pão, uma frutinha e deu? Não, tem que ficar beliscando... barrinha de cereal e sei lá mais o quê. O que tiver pela frente... ai, céus... até quando?
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