Quando acordou, sentiu uma felicidade inexplicável. Sonhara com a metrópole que aprendera a amar: as ruas movimentadas, pessoas trafegando... sentiu que voltara a sentir-se viva. Que o que ela temia que tivesse acabado voltara: vontadade de viver, de estar viva... de não ver mais a vida passando.
Levantou-se e foi molhar seu rosto. Sentiu, mais uma vez, a água tocando-lhe a face. Trocou sua roupa, pois estava de camisola, e foi andar à beira-mar. Colocou os pés na areia. Vida. Mergulhou-os nas águas que estavam tépidas e deixou-se banhar no oceano. Pensou sobre a vida, perdeu-se em seus devaneios. Absorta, continou a andar sentindo o sol tocando sua pele. Sentira-se viva. Pensou nos acontencimentos pretéritos, pensou do presente. Riu-se de tudo, inclusive daquela vontade que tivera de desistir de tudo e de todos. Percebeu que para viver é preciso, todo dia, se arriscar. Tentar. Porque quando vê já foi. Enfrentar os medos, passar por eles, e superá-los. Superação: é o que vem fazendo. Supera cada dia o que lhe dói. Vem enfrentando problemas, como todos, tentando resolvê-los, inclusive tenta resolver-se. Experimentar. Porque amanhã pode não chegar. Perder-se em si mesma: a maneira que a ajuda a encontra-se. Perder-se todo dia e todo dia se encontrar. Isso É viver. VIVER.
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