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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

E MESMO SEM ASAS ELA APRENDEU A VOAR

De repente parecia que tudo havia escurecido e que nada mais fazia sentido. Mas foi só colocar a cabeça no lugar, colocá-la pra pensar, que tudo voltou ao que era. Ela voltou a ser quem era, voltou a ser inteira. Até porque seu desejo, seu anseio, nunca foi ser apenas uma metade. Nunca pensou em alguém que pudesse fazê-la inteira. Porque ela aprendera a ser assim (ninteira). Porém, talvez por se deixar levar por emoções, tenha esquecido disso. As agruras da vida fizeram-na perceber e saber que era inteira. Aprendeu com os percalços, com as dores, com as decepções e prometeu que ninguém mais iria lhe fazer chorar. Pode ser que por uma fraqueza tenha permitido, tenha esquecido do que prometera a si mesma e ficou suscetível. No entanto, após esfriar a cabeça e colocar a razão à frente de tudo, de analisar o que se passara, alguns dias depois do que ocorrera, pôde se dar conta da realidade. Do que, de fato, fazia sentido. E do que ela QUERIA. Reaprendeu que NINGUÉM é insubstituível. Reaprendeu a viver, a respirar. Voltou a ter a ânsia que tinha. De querer viver cada dia como se fosse o último... deixou pra trás o que estava ferindo, machucando o coração, pois deu-se conta de que não valia a pena. De que de nada vale se esforçar quando não há mais o que fazer. Que aquilo não era pra ela. Aquela pessoa não era ela, afinal. Ser tratada com indiferença, nem bem, nem mal, não era o que queria. Agora sabe que o mínimo que deseja é que lhe tratem como trata as pessoas. O MÍNIMO. Porque sem reciprocidade não tem por quê. Não adianta. Mas, apesar de tudo, ela não se arrependeu. Ciente de que cometeu possíveis erros, o importante foi que ela tentou, que se doou, que foi compreensiva, estendeu a mão para ajudar quando foi preciso, embora, em troca, tenha recebido palavras duras. Fechou os olhos, sentiu a brisa quente tocar seu rosto, sorriu e viu que ainda há muita vida pra ser vivida. Que precisa ter cada vez mais fibra pra continuar trilhando este caminho muitas vezes tortuoso. Mas ao olhar para fora da janela ela viu que, apesar das agruras, é precioso estar viva e, mais que isso, poder sentir-se viva novamente. Ao olhar os carros passando, ela disse para si mesma que não queria mais que tudo acabasse ali; que era preciso continuar. Que o céu é tão azul, mas um azul tão lindo que chega a doer. Que não tem explicação. Embora sabendo de tudo isso, que muitas coisas simplesmente não têm um porquê, ela decidiu seguir. Porque agora sabe que a cada tombo, uma lição. Quando seus pés tocaram a água tépida do mar, no final de tarde, e, logo após que viu o azul do céu confundindo-se com o mar, em seguida trocando de cor e ficando com tonalidade alaranjada, riu-se lembrando das coisas que chegou a pensar. Do medo que a tomou subitamente e que a fez pensar em não querer ir em frente. De como se é pequeno em meio a tanta beleza da natureza e que ninguém pode fazer com que se sinta menor que isto. Perdeu-se, por alguns minutos, em seus pensamentos e seus anseios. Cansou-se de andar pela areia, porém não de se sentir viva; não cansou de sentir a vida lhe penetrando os poros. Não... sorriu, caminhou até a casa e se banhou. Mais um dia, mais um final de semana... e continuara ali... INTEIRA. Como fora, como é e como será. Porque ela sabe que ninguém pode tirar sua vontade de sentir-se feliz e sua vontade de viver cada pedacinho... porque ela sabe que o amanhã pode não chegar...!!!!!!!!!!!!

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