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terça-feira, 21 de julho de 2009

Estava eu aqui no computador, no quarto que teoricamente seria da mãe, quando ela entrou e sentou para fumar um cigarro. Aí ela disse: "Lara, eu estava pensando... o dia que tu tiver um filhinho vais ter que dar carne para ele, pelo menos enquanto for pequeno. Porque é difícil achar os nutrientes em outras coisas..." Filho, mãe? Eu? Será? Ela me confessou que quer ter neto, sim, mas depois que eu me formar. Assim, se for pra ter, quero ter antes dos trinta. Eu tenho quase 23, vou me formar com 25... então terei três anos depois da faculdade para viver mais um pouco. Em cinco anos posso me tornar mãe. E agora, como faz? Detalhe que não existe sequer um pai pro meu futuro filho ahuauhauhauhahuahuahuhuauhahuahuauhaahuahu. Que loucura. Quando eu era mais nova, que brincava de boneca, eu deseja ter filhos... dois... um aos 28 e outro aos 32. Mas hoje eu olho e penso... que empenho... Logo eu, super sem paciência. Tenho muito medo. Já tem tanta gente também... e eu não sei se eu tenho estrutura emocional para aguentar nove meses uma gravidez. É muito louco ter um ser crescendo dentro da gente. Nunca fiquei grávida, mas imagino que seja... Sem contar que nunca mais terei uma noite de sono. Não até a criatura se tornar adulta. E eu acho que sou muito egoísta pra ter um filho. Abrir mão de noites bem dormidas, da minha liberdade, das minhas coisas, da minha solidão. Não sei, não. A mãe disse que quando se tem uma mãe (no caso, ela) muito legal é mais fácil; tipos que ela quis dizer que cuidará quando eu precisar do meu possível filho. É uma forma de evitar a solidão da velhice. Só que tantos filhos abandonam os pais... e é difícil educar, ensinar as coisas, passar valores... tem que ter toda uma estrutura emocional, financeira... não é nada barato parir um ser. Leite, fraldas, roupas que deixam de serivir a cada mês, escola, curso disso, curso daquilo, babá, carrinho, berço, cadeirinha... Não sei, não. Não sei se em cinco anos eu terei condições de gerar um outro ser. Mãe... não sei se conseguirei ser. Se for, que eu seja como a mãe foi pra mim. E eu terei que voltar a comer carne, parar de fumar... iiiiiih... já se começa cedo a abrir mão das coisas... Não sei, ou serei muito amorosa ou muito fria, muito distante. Tenho medo. Acho melhor deixar essa ideia de lado. Porque, né. Ainda faltam cinco anos. Nesse tempo eu penso o que eu quero, se há como. Porque inseminação é uma possibilidade descartada. Tanto quanto adoção. Não sou magnânima a esse ponto. Talvez eu não seja uma pessoa boa, de bom coração. Mas adoção é uma coisa muito complicada. Tá certo que dizem que se ama a criança, da mesma forma que se pega amor a um bichinho... mal comparado, mas é mais ou menos isso. E eu não duvido; acho que se pode amar aquela criança. Só que é complicado... se for pra ter, quero que saia de mim. Se for pra abrir mão, que seja para um pedaço meu. Pode ser bem egoísta esse meu pensamento. Eu admiro quem adota, acho um gesto muito bonito, mas sou sincera... eu não. Tem que saber lidar muito bem com tudo isso... como faz pra explicar pra criança que ela tava num hospital, que os pais não a quiseram, mas que eu fui lá e escolhi para ser meu filho? Que eu até poderia gerar meu próprio filho, mas eu quis escolher... não, não. Ah, tem um porém também. Nem sei se eu poderei ter filho, né... nem sei se sou seca ou fértil. Mas enfim. I'll think about it tomorrow...

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