Pages

Slideshow

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Eu me assusto comigo mesma. Como eu sou cheia de sentimentos e tão vazia ao mesmo tempo. Como que eu mudei. Mas não mudei ao mesmo tempo. Porque tudo que eu sempre senti eu continuo sentindo. Só que diferente. Mas igual ao que era antes. Assim, eu continuo com aquela ânsia toda. Com toda a pressa de viver tudinho. No entanto o que me interessa é viver a minha vida. Não quero mais sufocar ninguém. Eu encontrei a minha liberdade e não quero tirar a de mais ninguém. Porque eu sei como é bom ser livre. Como é bom ir e vir. Livre arbítrio. Sem proibições. Sem restrições. Cada vida é uma, única, e cada um tem a sua. Cada qual sabe o que fazer. Como viver. Se machucar, azar. Cada um que assuma o que produzir. Que se dane. Não dá pra passar o dia inteiro com "se"... Isso destrói. Mata. Dói. Dilacera. Acaba com tudo o que é bom. Encontrei vida na liberdade. No fazer o que bem entende. Claro, o meu espaço termina onde começa o do outro. Isso eu aprendi bem. Mais um ensinamento de minha mãe. Respeito. Porque para a pessoa ser intensa não precisa abdicar do respeito, da educação, das boas maneiras. Os bons costumes são questionáveis. É, às vezes, meio moralista falar nisso. Cada um sabe de si e o que considera correto. Não estou querendo dizer, com isso, que agora o que eu sinto é vago. Que não existe apego. Que não me prendo em mais nada. Não. Não é isso, de forma alguma. "Sou um animal
sentimental; me apego facilmente ao que desperta meu desejo." Pode-se, sim, ter apego ainda que livre. Sabe, o saber que está ali. A presença. A matéria viva. E está vivendo. Está sendo livre. Está buscando o que quer. Ou, talvez, o que não sabe. Um buscar desconhecido, de novas sensações, de um novo ser. Falo de liberdade no sentido de deixar a pessoa respirar. Não lato sensu. Porque não caberia a mim escrever. É complexo demais. A liberdade. Eu já deixei livre quem eu gostei. E gostei muito. E, para mim, foi intenso enquanto durou. O pouco que durou. O resto passou. Achei que era intenso, mas hoje sei que não. Porque, por medo ou sei lá eu o que, fui acometida de um sentimento ruim, de posse. Sufoquei e fui sufocada. Hoje sei que não foi bom. Não valeu a pena. Desgastou. A mim, tudo. Me feri, me curei. Só que fui feliz só enquanto eu deixei quem eu gostava livre. Para fazer o que quisesse. Com a recompensa de gostar de mim. De me dar um pouquinho da presença. A companhia. Hoje sei que foi melhor assim: doar-se, receber em troca e ser livre. Que aí eu aprendi. Mas bloqueei por uns anos. E, agora, depois de cinco anos, depois de fazer um balanço, vi onde estavam os meus erros. Para que ter aquela ansiedade no peito, querendo saber de tudo a todo o tempo? Cada um vive a sua vida. Não posso querer viver a minha e a do outro. "Viva e deixe viver." A pessoa tem que ter algum motivo para querer estar contigo. E não vai ser cerceando a liberdade, querendo-a (a pessoa) a todo instante, que se terá a certeza de que vai gostar de ti, que não vai te machucar. Se ela está contigo é porque quer. Ninguém a obrigou. Quando não quiser mais, vai embora. Ninguém tem a obrigação de estar preso a alguém. E se acabou, tchau. A vida continua. A vida segue. O que acabou foi o relacionamento, não a vida. Sem dramas. Simples assim. É. Acabou, acabou. Não é frieza. Só não dá pra jogar toda a vida fora só porque alguém, ainda que importante, saiu de nossas vidas. Existe muita gente no mundo. Muita gente chata, eu sei. Muita gente. É díficil encontrar pessoas legais, que tenham essência. Que não sejam ocas. Que não quebram quando são apertadas. Por isso que, às vezes, quando eu acho alguém que me interessa, quero segurar com as minhas garras, com toda a minha força. Porque é difícil mesmo. O mundo está cheio de gente. Mas todos iguais. Comuns. Que não sentem, que não vivem. Existem. Não sabem de nada. Não se questionam. Pouco importa. Indiferença. Pessoas, seres humanos, gente. Às vezes me canso dessa convivência obrigatória. Às vezes sinto falta. De conversar. De rir. Porque monólogos... ah, monólogos... tem dia que se quer diálogos. E, olha, para mim, os opostos se atraem SÓ nas aulas de química, na teoria. O normal me cansa. O igual. O todo dia a mesma coisa. Gosto de tempestade. De turbulência. Mas a serenidade também tem o seu valor. Essa paz que eu sinto aqui dentro, essa tranquilidade que eu tanto buscava e que eu encontrei não sei como, onde e nem por quê. Nem me interessa.

Nenhum comentário: