segunda-feira, 6 de julho de 2009
Estou tão ansiosa para voltar a Porto Alegre. Não sei por quê. É como se fosse a primeira vez que vou para lá. Parece que estou indo a um lugar que não conheço. Que não sei para onde vou. Engraçado. Amanhã cedo sairei daqui. Chegarei por volta das 12h. Que delícia. Mesmo que eu tenha que estudar, mesmo que eu faça a prova... Se bem que eu pensei que aqui seria pior. Mas não. O calor da família... E eu gosto dessa movimentação que tem aqui em casa. Na minha sou eu apenas. Aqui não. Sempre tem gente. Sempre há algum barulho. Lá em casa eu sou tomada pelo silêncio. Só ouço a minha voz, mas como não falo... só minhas músicas. Eu gosto da minha quietude. Mas às vezes é bom ouvir toda essa movimentação. Vozes. Conversas. Ainda que triviais. Ontem praticamente todos estavam aqui. Eu gosto disso. De estar entre eles. De dialogar. Rir das coisas engraçadas que falam. Sábado, dia 11, tudo se repetirá. Meu vô completará ointenta anos. Que alegria!! É muito bom poder comemorar essa data. Saber que ele está com a gente. E que está forte, com muita saúde. Haverá uma comemoração aqui em casa para a família apenas, diferente dos setenta anos dele. Mas era outra época, outra situação, outra casa. Assim é melhor. Só nós. Filhos, netos, noras... sem genro. Estou tão "família" ultimamente. É que, na verdade, eu sinto um pouco de falta disso. Quando estou em POA. Sinto falta de estar entre eles. Não que eu esteja reclamando de ficar sozinha, mas às vezes é bom estar na/em (?) companhia deles todos. Ando meio sentimental. Deve ser isso. TPM e coisarada. Eu não costumo falar essas coisas; é mais fácil escrever. É o jeito que eu encontro para expressar o que sinto. E tenho necessidade de expor, de colocar para fora, ainda que aqui. Não sei dizer. Talvez eu seja apegada a esses valores. Apesar de a minha mãe não ter me criado para seguir todos os preceitos religiosos, seguir todos os mandamentos,ela sempre me ensinou, mesmo que com outras palavras, a valorizar a minha família, as pessoas que eu gosto, e a "honrar pai e mãe", tal qual o primeiro mandamento. Claro, não assim, dito dessa forma. E acabei sempre colocando-a à frente de tudo. Uma vez, inclusive, a catequista me disse que eu deveria amar deus sobre todas as coisas. Perguntei como eu iria amar alguém que não conheço, que não sei quem é, uma coisa tão abstrata (assim como o amor). Ela ficou perplexa e não gostou do meu questionamento. Mas eis uma coisa que nunca compreendi. Como amar deus sobre todas as coisas? Duvido que alguém ame mais a ele do que a seus filhos, a seus pais. É bonito dizer isso da boca pra fora. Quer dizer, bonito... é sacro, sei lá. Aliás, muitas coisas que os católicos falam, só falam... porque praticar, que é bom... é outra história. Quanta gente que se enche de hóstia na missa de domingo e se comporta de forma diversa na segunda? Pra mim nunca existiu um deus. Nunca. Desde que me conheço por gente nunca acreditei em nenhum. Até, por vezes, me sentia culpada por isso. "E se?" Se existir, e aí? Como faz? Com o tempo fui me questionando mais e acreditando cada vez menos na existência de deus ou qualquer coisa afim. Não sentia nada. Sabe, fiz catequese pelos meus avós. Tipo quando alguém escolhe uma faculdade e entrega o diploma aos pais depois que se forma. Até comecei a fazer o crisma, mas quando chegou a hora de ir para um retiro espiritual eu tirei meu corpo fora. Era demais. Estavam exigindo demais da minha pessoa. Imagina só, eu, descrente de tudo, num retiro espiritual. Que piada. Que meus avós não sonhem com esse meu posicionamento. "Que heresia"... acho que pensariam. Ou coisas piores. Não importa. Nunca senti necessecidade de ter um deus. Até acho que sou uma pessoa bem forte. Sempre vivi sem apego a uma crança. Para a maioria das pessoas é mais fácil ter a quem se apegar nos momentos difíceis. A quem pedir uma graça, uma ajuda. É mais fácil acreditar que existe um deus acima de nossas cabeças. Que alguém vai nos ajudar. Mas sou mais feliz assim. Presa a nada. A nenhum preceito religioso. Presa apenas ao que considero correto. Aos meus princípios. E só. "Deus é só uma desculpa que o Homem inventou para explicar tudo aquilo que ele não conhecia. Deus não existe, não existe autoridade absoluta. Ninguém tem controle total sobre o ser humano. Nem ele mesmo". Era uma frase que eu usava bastante quando era mais nova. Na verdade nem sei de quem é e menos ainda aonde eu encontrei. Deve ter sido na internet mesmo, na época que eu lia coisas sobre "Riot Grrrls", anarquismo, ateísmo... hhahahaha Nossa, eu escrevi esse monte de coisa... e eu só queria dizer que eu estava ansiosa, apreensiva, para voltar à cidade que eu escolhi para chamar de minha. Nesse ínterim dei uma volta enorme, passando pela minha família, por deus... nossa! Que verborragia! Eu me excedo, me perco nas palavras. Talvez eu seja prolixa. Não importa. Escrever faz com que eu me sinta bem. Faz eu me sentir viva.
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