segunda-feira, 6 de julho de 2009
Meu primo almoçou aqui. Aí eu estava pensado... ele só tem oito aninhos, quase nove... ele é tão lindo. Parece que foi desenhado, que foi pintado. Bem o oposto de mim: loiro de olhos azuis/verdes. Nem queria mesmo. Ah, isso eu também queria ter herdado da minha vó: os olhos. O cabelo não. Não queria ser loira. A pele dele é um pouco mais clara que a minha. Tem os traços do rosto bem harmoniosos. É uma criança linda, de verdade. Não é porque é meu primo. Aí eu estava pensando. Uma criança. Ele vai crescer. Rápido. Em breve vai se tornar adolescente. Depois, sendo fiel ao ciclo biológico, adulto. E vai ser mais um adulto. Não uma criança. Um adulto. Com preocupações. Sem aquela inocência da infância. Sem aquele brilho, aquela vivacidade toda. Aquela alegria. Com muitos questionamentos (assim espero que ele seja!). Quando somos crianças somos tão engraçadinhos. Fazemos coisas que despertam o riso alheio. Depois que crescemos ficamos sem graça. A maioria. Tão bonitinho ele imitando os passos da dancinha do Michael Jackson. Tão inocente perguntando se eu não queria brincar de uma coisa que haviam inventado. Ele e os amiguinhos. Com todo aquele frescor. Aquela pele lisa, de bebê ainda. Acho que sou meio saudosista, sim. "Que saudades que tenho (...) Da minha infância querida que os anos não trazem mais!". Eu gostava de ser criança. Aproveitei tudo o que eu pude. Brinquei até crescer. Com 14 anos eu ainda tinha bonecas nos meus braços. Depois perdi o interesse. Assim que comecei a "gostar" do primeiro menino hahaha. Lamento só por não ter aprendido a subir em árvores. Mas quando eu era pequena ainda se brincava na rua... de correr, de pegar, congelar, batemanteiga...era tão bom. E as crianças de hoje, como o meu primo, já não vivem mais isso. Ficam presas a videogame, a jogos de computador. Quando muito jogam uma "bolinha". As gurias, aos 8, 9 anos, são moças. Têm celular. Usam salto, roupa de mulher, não de menina. Eu acho tão bonito SER criança... curtir tudo o que é possível. Aproveitar cada dia da infância. Fazer tudo o que não pode se fazer depois que cresce. Usar só a parte de baixo do biquíni, por exemplo. Porque a mim parece que topless... é meio sei lá. Não me arrependo de nada. Vivi muito bem enquanto era criança. Felizmente minha mãe pôde me dar, se não tudo, quase tudo o que eu queria. Inclusive muito, mas muito amor. Fui muito amada por ela, desde sempre. Na barriga. Não tenho nada pra reclamar. Nadinha. Fui muito feliz. Tive uma infância linda. Só lembranças boas. Não lembro de nada que tenha machucado meu coração. Porque, se tivesse, certamente eu lembraria. Se tivesse algo que marcou negativamente. Mas não, não tem. Eu era bem engraçadinha também. Depois isso se perde. O tempo passa e isso vai embora. E com o Manoel também será assim. Se eu pudesse, diria a ele para que aproveite. Que viva. Porque passa. Fases. Quando vê já foi! Mas ele não entenderia. Seria complicado para eu explicar a ele o que é a vida. Nem eu mesma sei. Seria difícil dizer a ele para que viva com intensidade,que viva cada minuto como se fosse o último. É muita ideia para plantar em uma cabecinha de oito anos. Estaria antecipando os questionamentos dele. E isso não é bom. O bom mesmo é viver cada etapa, sem pular nenhuma. Viver cada pedaço por vez. Pode até ser com ânsia. Desde que se viva. Pode até viver meio atrapalhado, meio sem jeito, mas que viva. Que viva sempre.
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